
Não ouço sua musica, não sinto seu amor
Não vejo seus sonhos, alias vejo-os: Sonhos de ganância, de individualismo, de corrupção.
Sua grandeza não é para espelhar o Criador selva de pedra!
Seu exemplo é a Torre de Babel, um amontoado de homens orgulhosos que querem ser semelhantes a Deus.
Seu desejo é como sua formação artificial, Selva de Pedra!
Por isso não tenho prazer nenhum em vê-la prosperar, minha'lma não se alimenta de seus frutos, esses me causam azia quando ingeridos.
Sua beleza não vem de você, mas dos pássaros que ousam viver no seu meio, das plantas que, quando você não percebe, nascem em suas brechas e isso lhe faz ser um pouco melhor, ou menos pior.
Não tenho inimigos, a não ser a morte, mas não me considero seu amigo. Por que? Talvez seja seu cheiro que não exala vida, só indiferença e esse é o perfume da morte, pois na morte nada importa.
Espero sua queda, não dos homens que você enfeitiçou com suas palavras de poder trazendo a tona o mal que habitava neles.
Em seu meio esqueço as cores, perco a esperança e talvez seja esse seu desejo,
Para encantar a humanidade é preciso matar a esperança no transcendental e é o que você almeja, sem esperança tornar-nos gado em fila para o matadouro.
Penso no dia em que a natureza insurgirá,
Como cupins em uma bela mesa de madeira, sem perceber seus donos, te destruirá.
Quando o Verdadeiro expurgará o Falso, o Natural tomará o lugar do Artificial, o Real não mais dividirá seu espaço com o Virtual.
Ai então, descansarei pois não mais te verei; pois seu que junto contigo a desigualdade perecerá.
Por enquanto olharei para os céus para procurar os pássaros e ouvir suas canções de um outro mundo,
Procurarei entre as brechas de sua grama cinzenta as cores da vida, o verde da natureza, e numa relação mística dividirei minha dor e renovarei minhas esperanças com esse pequeno pedaço de Deus.
André Cardoso
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