
Imagino que a chuva vem quando a angústia e indiferença esquentam os corações dos homens. Enviada de Deus para o refrigério, traz o renovo para o mundo.
Sua misão: lavar toda dor, levar para os ralos do esquecimento toda a mágoa.
E lá vem ela, unindo os casais que não podem sair para outro lugar, unindo os precavidos com os esquecidos sob um guarda-chuva. Pessoas desconhecidas juntas num lugar coberto vendo-a passar.
Seu toque de pureza tão desejado pelos simples. Seu poder de revitalizar os campos. Os campos, ao vê-los sendo banhados por esta, chego a senti-los se deliciando com ela.
Mas os desavisados, insensíveis, não gostam dela, atrapalham seus planos, enchem as casas, não vêem que isso é conseguência de suas falhas, políticas mal planejadas, ganância pelo lucro destruiu suas valas, caminho natural que a levava para o mar, Guardião dos mistérios.
As almas sedentas, no entanto, ainda a esperam, conhecem seu poder, ouvem sua mensagem dada pelo Numinoso. Um falar diferente, não entendida pelos ouvidos, mas bem interpretada pelo coração. André Cardoso
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